Tratamento



Tratamento do Cancro do Fígado

Independentemente do tipo de cancro do fígado diagnosticado, o tratamento é bastante similar para todos eles.

Importa relembrar que o tratamento é sempre individualizado e decidido pela sua equipa médica. A decisão sobre o tratamento mais adequado está dependente de uma série de fatores como a idade, os problemas de saúde anteriores, o estado de saúde no momento, a presença de outras doenças do fígado, o estádio do cancro, os hábitos alcoólicos, entre outros.

Tratamento em estádios iniciais
Quando o cancro do fígado é detetado em fases iniciais o objetivo do tratamento é a cura. Neste caso existem três tipos de tratamentos mais utilizados:

  • A remoção cirúrgica do tumor
  • O transplante de fígado
  • Os métodos de ablação local

Remoção cirúrgica
A remoção cirúrgica, isto é, remoção do tumor através de cirurgia, é uma opção de tratamento utilizada, principalmente, em doentes sem cirrose hepática e com o fígado ainda pouco afetado.

Quando o tumor é pequeno e afeta apenas uma pequena parte do fígado, essa região do órgão pode ser removida. A esta remoção chamamos hepatectomia parcial. A porção retirada segue para análise em laboratório. Esta análise permite classificar o tipo de tumor. Além disso, é importante verificar se o tecido em volta do tumor é saudável, garantindo assim, com uma boa margem de segurança, que o tumor foi removido na sua totalidade.

Efeitos secundários da remoção cirúrgica
A remoção de uma parte do fígado é um procedimento delicado do qual podem surgir complicações. Entre os problemas mais frequentes estão:

  • Trombose venosa profunda (formação de um coágulo sanguíneo numa veia profunda)
  • Problemas cardíacos e respiratórios
  • Infeções
  • Reações à anestesia
  • Hemorragia. Um dos maiores riscos da remoção cirúrgica é a hemorragia (sangramento excessivo). Isto porque o fígado é um órgão com um papel muito importante no processo de coagulação sanguínea, assim, qualquer alteração na sua função pode originar hemorragias.

Ainda que pouco frequente, um efeito secundário que pode surgir é a insuficiência hepática (défice na função do fígado).

Transplante de fígado
O transplante de fígado é um procedimento extremamente delicado e restrito. Para avançar para esta opção de tratamento é necessário que sejam preenchidas uma série de condições que permitem, não só conferir algum grau de segurança ao procedimento, como também aumentar as probabilidades de sucesso do mesmo.

Geralmente, o transplante de fígado é pensado em pessoas com tumor único de tamanho inferior a 5 centímetros, ou 2 a 3 tumores com tamanho igual ou inferior a 3 centímetros. Pessoas com cirrose hepática causada por alcoolismo que mantenham os hábitos alcoólicos não são candidatos a transplante.

Além das características do tumor, são vários os fatores que pesam na decisão de submeter uma pessoa a transplante de fígado, entre eles podemos apontar a idade, o estado geral de saúde e a presença de outras doenças.

Na grande maioria dos casos, os dadores de fígado são pessoas mortas ou pessoas em morte cerebral. Em situações muito excecionais pode ser possível um dador vivo doar parte do seu fígado a um familiar direto.

Como se realiza um transplante de fígado?
Uma intervenção para transplante de fígado é realizada sob anestesia geral e demora, em média, entre 6 e 10 horas.

A pessoa que vai doar o fígado é o dador e a pessoa que irá receber o órgão é o recetor.

De uma forma muito simples, a sequência do procedimento é:

  1. Remoção do órgão do dador
  2. Corte (incisão) em forma de boomerang na parte superior do abdómen do recetor
  3. Remoção do fígado do recetor, deixando as porções dos vasos sanguíneos principais (artéria hepática e veia porta)
  4. Introdução do novo fígado e encaixe dos vasos sanguíneos

Efeitos secundários do transplante hepático
O transplante de fígado é um procedimento de risco elevado, motivo pelo qual surgem, frequentemente, complicações. Entre as complicações mais comuns e mais simples de resolver temos as reações à anestesia, aumento da pressão arterial, aumento dos níveis de colesterol no sangue ou diabetes.

O risco de sangramento é elevado e deve ser bem vigiado. Alguns dias após a cirurgia o fígado pode estar impedido de realizar as suas funções na coagulação sanguínea, aumentando assim o risco de sangramento.

A complicação mais grave que pode ocorrer no transplante de fígado é a rejeição do novo órgão. O que acontece nestes casos é que o organismo identifica o novo órgão como um corpo estranho e inicia um processo de defesa contra o mesmo. Esta reação do sistema imunitário provoca infeção, podendo danificar o novo órgão.

Em alguns casos é necessário recorrer a medicação para inibir o sistema imunitário. No entanto, esta situação pode tornar a pessoa mais suscetível a outras doenças.

Quando acontece rejeição do órgão transplantado podem surgir sintomas como febre, cansaço e icterícia (cor amarelada nos olhos e pele que é causada pelo excesso de uma substância no sangue chamada bilirrubina. Esta substância contém um pigmento de cor amarela e encontra-se nos glóbulos vermelhos).

Técnicas de ablação local
A espera por um dador compatível pode ser demorada, motivo pelo qual o doente deve ser submetido a tratamentos alternativos ao transplante, de forma a evitar a evolução do tumor. Quando é previsível uma espera superior a 6 meses, a equipa médica pode propor outros tratamentos como a remoção cirúrgica, quando possível, a ablação local ou a quimioembolização transarterial.

Os métodos de ablação local têm como objetivo destruir as células cancerígenas no local onde estas se encontram. Esta técnica é utilizada para destruição de tumores de pequena dimensão. São utilizados dois tipos de ablação:

  • Ablação por radiofrequência

Esta técnica permite a utilização de radiação para destruir as células cancerígenas. É introduzido um tubo muito fino através da pele até à localização do tumor, onde é descarregada radiação. As células tumorais são gradualmente substituídas por tecido cicatrizado. Para auxiliar a introdução e manuseamento do tubo, o procedimento pode ser guiado por ecografia ou por tomografia computorizada (TC).

Esta técnica mostra-se mais eficaz quando existem menos de 5 nódulos e todos com tamanho inferior a 5 centímetros.

Quando os tumores estão próximos de vasos sanguíneos importantes, como a artéria hepática, pode existir o risco de hemorragia (sangramento excessivo), por isso, nestes casos, a ablação por radiofrequência pode não ser recomendada. No que diz respeito a vasos sanguíneos mais pequenos, o risco de hemorragia é reduzido, uma vez que o calor da radiação provoca o encerramento dos mesmos.

Regra geral, o procedimento é realizado com anestesia local.

  • Ablação por injeção de etanol (álcool)

A ablação por injeção de etanol é utilizada com o objetivo de queimar as células tumorais. O etanol é injetado através da pele diretamente no tumor. Para facilitar a injeção recorre-se ao auxílio da ecografia ou da tomografia computorizada (TC).

Esta técnica é menos eficaz do que a ablação por radiofrequência quando os tumores têm tamanho superior a 2 centímetros.

Efeitos secundários das técnicas de ablação local
Os efeitos secundários mais comuns na ablação por radiofrequência são a dor abdominal, a infeção e a hemorragia. No caso da injeção de etanol os efeitos mais comuns são a febre e a dor no local da injeção.

Quimioembolização transarterial
A quimioembolização transarterial é um tratamento útil, particularmente durante o tempo de espera para transplante. Esta técnica consiste na injeção de um medicamento diretamente na artéria que irriga o fígado (artéria hepática). O procedimento é feito através da introdução de um cateter na virilha.

Este medicamento tem como objetivo eliminar as células cancerígenas e limitar o seu crescimento.

Em fases mais avançadas da doença, este tratamento pode ser utilizado com o objetivo de aliviar alguns sintomas causados pelo cancro. No entanto, quanto maior for o tumor, menores são os efeitos favoráveis deste tratamento.

A quimioembolização transarterial, geralmente, não é utilizada:

  • Quando existe cirrose hepática de grau avançado
  • Em tumores espalhados noutros lóbulos do fígado e/ou noutras partes do corpo
  • Na presença de trombose na veia porta (formação de coágulos sanguíneos na principal veia do fígado)

Efeitos secundários da quimioembolização transarterial
Uma vez que este tratamento é mais localizado ao nível do fígado, os seus efeitos secundários são mais leves comparativamente com a quimioterapia.

Entre os efeitos mais comuns temos náuseas, dor e febre.

Tratamento em estádios mais avançados
Em fases mais avançadas do cancro, o tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas e prolongar a vida do doente nas melhores condições possíveis.

Nestes casos, os tratamentos mais utilizados são a quimioterapia e a radioterapia.

Quimioterapia
A quimioterapia consiste na administração de medicamentos, geralmente, através da veia (via intravenosa). Uma vez que esta medicação passa por todo o corpo, além de destruir as células cancerígenas, destrói também algumas células saudáveis. No entanto, os medicamentos são cada vez mais específicos para o fígado, diminuindo os efeitos secundários.

Efeitos secundários da quimioterapia
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem quer do medicamento utilizado, quer da dose aplicada. Contudo, os efeitos secundários mais frequentes são:

  • Cansaço excessivo
  • Queda de cabelo
  • Aparecimento de feridas na boca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Diarreia

Aumento do número de infeções

Radioterapia
A radioterapia consiste na utilização de radiação para destruição das células cancerígenas. Ao contrário da ablação por radiofrequência, em que a radiação é administrada diretamente no órgão, na radioterapia a radiação é administrada através da pele.

Para avaliar os efeitos do tratamento é necessário fazer exames de diagnóstico, como a tomografia computorizada e ressonância magnética, para monitorizar a evolução do tumor. Além disso, outro parâmetro que permite avaliar a eficácia do tratamento são os sintomas durante e após os tratamentos.

Efeitos secundários da radioterapia
Os efeitos secundários associados à radioterapia, na maior parte dos casos, desaparecem após o fim do tratamento. Entre os efeitos mais frequentes temos o aparecimento de manchas na pele, semelhantes a queimaduras solares no local da radiação.

 

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Este texto foi revisto e atualizado em outubro de 2014‏‏.
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