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Fisioterapia Oncológica

A Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama - APAMCM,  é uma IPSS com fins de saúde, sediada em Stª Apolónia, ao lado do Hospital da Marinha.

Foi criada em 1999, para dar apoio às mulheres com patologia oncológica da mama e tem por missão:

  • prestar cuidados de saúde especializados ao doente com patologia mamária e de cuidados de saúde em geral à população,
  • divulgar a prevenção do cancro da mama e ginecológico,
  • estimular a informação no âmbito desta patologia.

AMAVITANo âmbito do primeiro ponto formou-se a clínica AMAVITA com consultas de medicina geral e familiar, senologia, ginecologia, obstetrícia, fisiatria, dermatologia, nutrição, psicologia (terapia individual, familiar e de grupo) e tratamentos de fisioterapia.

 

Centro Especializado em Fisioterapia OncológicaA APAMCM criou em 2006 o serviço de medicina física e reabilitação, em que se insere o Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica (CEFO) vocacionado para os cuidados dedicados ao doente oncológico, com alterações decorrentes ou não da sua doença.

Neste espaço prestamos também fisioterapia à população em geral, nomeadamente nas áreas de músculo-esquelética (ex: reabilitação de fracturas, reumatologia...), neuro-muscular (ex: AVC, traumatismos cranianos...) fisioterapia do desporto, fisioterapia respiratória (DPOC...), reabilitação pós-cirúrgica, reabilitação pediátrica, fisioterapia pré e pós parto, fisioterapia nas disfunções do pavimento pélvico feminino (ex: incontinência, disfunções sexuais...).


A ACTUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NO CANCRO DA MAMA

A maior parte dos doentes seguidos no CEFO são senhoras que foram operadas ao cancro da mama e que apresentam as limitações resultantes dos tratamentos ao mesmo, cirurgia e das terapias adjuvantes (quimioterapia e radioterapia):

  • Dor
  • Diminuição da amplitude do movimento
  • Alterações posturais
  • Diminuição da força e resistência
  • Alterações da sensibilidade
  • Alterações emocionais
  • Linfedema
  • Trombose linfática
  • Aderências e retracções cicatriciais

Intervenção precoce da fisioterapia

Idealmente a intervenção precoce da fisioterapia na reabilitação da cirurgia no cancro iniciar-se-ia antes desta, tendo em conta os fatores de risco pré-cirúrgicos que beneficiam com a fisioterapia e ainda: avaliar as limitações e queixas pré-operatórias para comparar com as avaliações depois da cirurgia; saber que objetivos realistas atingir; e fazer o ensino pré-operatório.

A intervenção fisioterapêutica não precoce ou demasiado branda aumenta o risco de: aderências, dor, desenvolver linfedema e diminuição da amplitude articular.

No tratamento pós-cirúrgico ao cancro da mama previnem-se e tratam-se edemas, posturas alteradas, atitudes viciosas, disfunção a nível cervical e ombro, limitações articulares, rigidez articular, atrofia muscular, cicatrizes, fibroses provocadas pela radioterapia, aderências cicatriciais, complicações vasculares e neurológicas e a dor.

Dor

A dor pode manifestar-se através de:

 Lesão dos tecidos (resultante da cirurgia e terapias adjuvantes)
 Diminuição da amplitude do movimento
 Alterações posturais
 Alterações da sensibilidade

 Alterações emocionais
 Linfedema
 Trombose linfática
 Aderências e retrações cicatriciais

A dor pode ser neuropática, crónica ou à distância do local intervencionado. Dependendo da causa da dor e da área em que se situa utilizam-se na fisioterapia:

• Agentes físicos: termoterapia, eletroterapia... Num doente com esvaziamento axilar não se usa do mesmo lado termoterapia ou eletroterapia pois o risco de desenvolver edema ou este aumentar multiplica-se.
 Terapias manuais: Drenagem Linfática Manual método Leduc, mobilização, técnicas apropriadas de massagem e mobilização.
 Cinesioterapia: exercícios em classe ou individuais.

Iontoforese
Iontoforese

Respeitando sempre a condição do doente, sobretudo os paliativos, quase todos com dor, podem-se utilizar técnicas auxiliares como a hipnoterapia ou sofrologia.

Diminuição da amplitude do movimento

Esta doente sofreu tumorectomia há 6 anos seguida de radioterapia na mama esquerda. Há dois ano fez mastectomia, devido à pobreza dos tecidos irradiados a cicatrização ficou comprometida e teve de fazer enxerto no local, só em Março do ano passado a cicatrização se completou. Por causa das aderências da cicatriz, a amplitude do membro esquerdo foi afetado e após 3 sessões de fisioterapia conseguiu atingir os 90º de abdução (maior afastamento do braço em relação ao tronco).

Fisioterapia Oncológica - Restauro da amplitude do movimento

Fisioterapia Oncológica - Restauro da amplitude do movimento

A causa mais comum da diminuição da amplitude do movimento é a fibrose após radioterapia, mas também a dor, as alterações posturais, articulares, de sensibilidade, emocionais, o linfedema, a trombose linfática e as aderências e retrações cicatriciais contribuem.

O tratamento é semelhante ao utilizado para a dor. Empregam-se as terapias manuais, a cinesioterapia e os exercícios em classe ou individuais.

Alterações posturais

As alterações posturais decorrem da fibrose, do menor peso num hemitórax, da dor, da diminuição da amplitude do movimento, das alterações da sensibilidade, das alterações emocionais, do linfedema, das aderências e retrações cicatriciais.

No tratamento utilizam-se as terapias manuais, a cinesioterapia, os exercícios em classe ou individuais e o uso de prótese interna ou externa para corrigir a alteração postural.

Alteração de Postura
Alteração de postura

Fibrose na mama esquerda pós radioterapia 
Fibrose na mama esquerda pós radioterapia

Diminuição da força e resistência

Classe de PNF-ChiA diminuição da força e resistência pode resultar dos efeitos dos tratamentos ao cancro e também das alterações emocionais. O impacto da cirurgia e das terapias adjuvantes como a quimioterapia e radioterapia podem descondicionar o doente.

Aplicam-se exercícios assistidos, ativos, resistidos, em classe ou individualmente para restaurar a capacidade funcional de acordo com a aptidão do doente.

Aqui vemos uma classe de PNF-Chi, uma forma de exercício físico criada por fisioterapeutas portugueses, que une um método fisioterapêutico: a facilitação neuromuscular proprioceptiva e o Tai-Chi.

Alterações da sensibilidade

Alteração de SensibilidadeAs lesões nervosas resultantes da cirurgia e tratamento adjuvantes, as alterações emocionais e o linfedema são causas das alterações da sensibilidade.
É estimulado o toque e o movimento no tratamento desta disfunção.

Alterações emocionais

As modificações abrutas de estilo de vida, alterações funcionais, imagem corporal, papel social, económico, familiar que o doente oncológico passa ao longo do seu tratamento desde que é confrontado com a descoberta de cancro conduzem frequentemente a alterações emocionais

O atendimento individual e contínuo com o fisioterapeuta ajuda o doente a exprimir os seus sentimentos, reorganizando-se emocionalmente e a buscar auxílio para problemas que o preocupam. Tanto quanto possível devemos escutá-lo e podemos aplicar técnicas auxiliares, como a sofrologia ou o relaxamento.

Se os problemas não são da área da fisioterapia, é feito o encaminhamento para outras especialidades.

Nas sessões de fisioterapia em interação com os outros pacientes encontra apoio e oferece apoio, valorizando-se.

 

Linfedema

LinfedemaEsta é a razão por que muitos doentes nos procuram.

Causas mais comuns: esvaziamento ganglionar, radioterapia e tumor.

Como consequências apreciamos alterações da sensibilidade e da pele, sendo a mais comum a erisipela, linfangite, hiperqueratose, fístulas e úlceras. Estes efeitos produzem alterações psicológicas, sociais e laborais.

Aos primeiros sinais de edema (inchaço) é necessário iniciar imediatamente a fisioterapia, pois uma vez estabelecido o linfedema, não existe cura, então o tratamento fisioterapêutico tem como objetivos diminuir o volume, a consistência, reduzir os sintomas e evitar a progressão de complicações.

No CEFO utilizamos a terapia linfática descongestiva (TLD) que ajuda a mobilização do membro, favorece a integridade dos tecidos, reduz e previne infeções, acautela nova acumulação do edema, estimula o sistema linfático a reduzir o edema.

A TLD consiste no ensino do doente, DLM – drenagem linfática manual método Leduc, compressão (pressoterapia, bandas multicamadas e mangas elásticas) e contração muscular quer em exercício individual, quer em classe.

ensino do doente engloba um programa fisioterapêutico com início o mais precoce possível, que inclua exercícios, cuidados de higiene e hidratação, participar na manutenção do seu tratamento e nos cuidados preventivos para o aparecimento de edema, medidas posturais, manter o peso controlado.

Se desenvolver uma infeção no braço, consultar imediatamente o médico.

Os cuidados a ter do lado do esvaziamento axilar são:

 Não medir a tensão arterial,
 Não puncionar, não fazer análises, não fazer infiltrações,
 Evitar o efeito de garrote de pulseiras, roupa apertada ou exames complementares como a eletromiografia,

 Não fazer jardinagem, nem lavar a louça sem luvas,
 Proteger o braço do sol e permanecer em locais frescos
 Evitar cortes, queimaduras e picadas de insetos
 Não segurar o cigarro desse lado

 Não fazer força excessiva, nem gestos repetitivos
 Evitar longas viagens aéreas e utilizar sempre manga de contenção
 Evitar desportos que causem dor
 Não sofrer massagens pesadas

A compressão abarca a pressoterapia, bandas multicamadas e mangas elásticas.

Drenagem Linfática
Drenagem Linfática

Pressoterapia
Pressoterapia

Bandas Multicamadas
Bandas multicamadas

Manga Elástica
Manga elástica

As bandas multicamadas utilizam-se para diminuir o edema, o doente deve conservá-las idealmente até à próxima sessão de fisioterapia. Quando a diminuição já não é significativa, o doente passa a utilizar uma manga elástica.

Exercícios de Pilates

Exercício de Pilates como forma de contração muscular

Trombose linfática

Reação inflamatória do coletor linfático após o esvaziamento axilar. Os coletores linfáticos perdem a elasticidade, não acompanham o movimento do membro, vê-se um cordão fibroso no trajeto do vaso linfático, existe diminuição da amplitude do movimento.

O tratamento consiste em cinesioterapia, alongamentos passivos, massagem suaves de deslizamento sobre o vaso com um venotrópico. 

Aderências e retrações cicatriciais

As causas podem advir da cirurgia ao cancro da mama ou reconstrutiva, radioterapia ou quimioterapia.

O tratamento consiste em massagem cicatricial para descolamento e cinesioterapia, melhorar o aspecto e a mobilidade da cicatriz, prevenindo ou tratando aderências.

Retração Venosa
Retração venosa por efeito da quimio.

Alterações subsequentes à reconstrução ainda com hematomas.
Alterações subsequentes à reconstrução ainda com hematomas.

Alterações decorrentes da radioterapia
Alterações decorrentes da radioterapia


Dia 1
Dia 1

Dia 2
Dia 2

Dia 3
Dia 3

Dia 4
Dia 4

Dia 5
Dia 5

Evolução do 1º ao 5º tratamento de fisioterapia.
Resultado da Evolução

Radiodermite. Evolução do 1º ao 5º tratamento de fisioterapia.

A relação da fisioterapia com o doente oncológico, um doente crónico, perdura ao longo tempo, visando a prevenção de possíveis dificuldades e manutenção da sua qualidade de vida.

À medida que outras complicações vão aparecendo, como o edema que devido ao envelhecimento dos tecidos, por vezes, surge muitos anos após o esvaziamento axilar, a fisioterapia acode.

O fisioterapeuta está presente em diversos contextos, no pós-cirúrgico imediato, nos cuidados paliativos, em meio hospitalar, no domicílio e tantas outras condições, por isso gostaria de vos deixar esta mensagem da fisioterapia para a vida.

Cristina Alves, Fisioterapeuta APAMCM

 

Última alteração em terça, 10 novembro 2015 17:43