Adaptação às fases da doença



Adaptação às fases da doença

As mudanças na família e o seu papel vão depender da fase da doença e da estabilidade do próprio seio familiar. As alterações na família irão depender do doente, do tipo de cancro diagnosticado, bem como dos tratamentos necessários e das circunstâncias familiares. É importante lembrar que cada família é única e os processos, embora possam ter pontos comuns, são vividos de forma diferente por cada pessoa.

Assim podemos dividir a doença em três estádios principais

1. Até ao momento do diagnóstico confirmado

1. Até ao momento do diagnóstico confirmado
Se existe a suspeita de um cancro ela pode ser encarada de forma positiva e sem sofrimento antecipado. No entanto, isto nem sempre acontece. É natural que a pessoa fique com medo e paralise a sua vida até obter um resultado. Quanto mais compreensivo for mais ameno será este tempo de espera.

Nesta fase as pessoas podem começar a questionar a sua vida, como será se algo lhes acontecer, especialmente quando têm outros dependentes dele.

 

2. Da aceitação do diagnóstico até ao tratamento

2. Da aceitação do diagnóstico até ao tratamento
Nesta altura as reações podem ser as mais diversas.

Cada ser humano sendo único e, tendo uma personalidade única, reage de formas diferentes perante adversidades.

Por isso, é crucial o apoio dos amigos e familiares.

  • É comum que perante um diagnóstico de cancro existam reações de negação. Nestes casos, há uma negação da doença como uma realidade sua. As pessoas pensam que se trata de um erro médico, que houve troca de exames. As pessoas que reagem por negação, geralmente, levam o problema de uma forma leviana por que estão descrentes da sua existência.
  • A ação de tentativa de inversão também é uma forma de reação a este tipo de notícias. Nestes casos, há uma tendência para a desvalorização da doença. Encaram-na como algo banal e inofensivo, sem necessidade de tratamentos agressivos ou de alterações de vida. Este tipo de reação dificulta bastante o tratamento e dificilmente se estabelece uma relação de confiança com o médico.
  • O Choque. Frequentemente existe uma reação de choque ao diagnóstico. Nestes casos, é natural uma ausência de expressão. A pessoa não exprime nenhum tempo de sentimento.
  • O medo. Embora atualmente isso não seja verdade, é natural que, no momento do diagnóstico, a palavra morte soe na cabeça. Por isso, o medo é uma reação normal.
  • A raiva. As reações agressivas acontecem com alguma frequência. Há uma tendência a ignorar a doença e a tornar-se agressivo, quer com os profissionais de saúde, quer com os familiares.
  • A culpa. Alguns doentes têm tendência a encontrar um motivo para a doença, sentindo-se culpados por atos que tiveram, encaram a doença como um castigo

O bem-estar psicológico do doente oncológico passará por encontrar um equilíbrio entre a sua condição vulnerável e o seu controlo e bem-estar emocional, sendo para isso necessário apoio quer dos familiares, quer de terceiros.

 

 

3. Dos tratamentos em diante

3.Dos tratamentos em diante

A fase dos tratamentos pode ser muito complicada. Os tratamentos oncológicos podem ser agressivos deixando marcas físicas e psicológicas.

É natural que ao longo dos tratamentos o doente passe por vários estados de espírito. Fases de coragem e vontade de continuar, fases em que quer desistir e não se acha capaz de aguentar mais.

É muito importante que a família apoie cada uma destas fases. Por isso, é que é tão importante que também receba apoio para que possa ventilar as suas emoções ficando mais disponível para o outro.

Muitas vezes, os familiares e amigos mais próximos têm tendência a pensar que quem está a passar pela fase mais pesada é o doente e que, como familiar, têm obrigação de suportar. Mas isso não é verdade, familiares que não se apoiam e que tentam suportar toda esta fase sozinhos poderão, com o tempo, ter necessidade de se afastar por chegarem ao ponto de exaustão.

É verdade que qualquer uma destas fases vai implicar mudanças nas rotinas, nas regras na redistribuição dos papéis familiares, vai representar um acréscimo de responsabilidades e será, inevitavelmente, um maior encargo financeiro.

 Quanto melhor estiver emocionalmente melhor será a sua ajuda ao doente. A família é a base, mas também as bases têm de ser sustentadas.

Este texto foi revisto e atualizado em outubro de 2014‏‏.
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